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sexta-feira, 31 de outubro de 2008

31 de Outubro

Em 1512, neste dia, eram inaugurados os frescos de Miguel Ângelo da Capela Sistina.

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Prédio 03

- Então, como vai a advogada de serviço do prédio?
A D.ª Lurdes! Ia tão compenetrada na lista das minhas tarefas de hoje que nem reparei que estava a passear a sua Lassie...
- Com pressa, para variar! Tenha um bom dia!
- Esta gente nova sempre a correr! Depois vêem-se pessoas da sua idade com AVC’s, paragens cardíacas... Têm de ter mais calma!
- Hei-de dizer isso ao meu patrão. Quem sabe não considere uma sobrecarga de trabalho e coloque mais funcionários! Ou então sempre me pode mandar para um lugar de criminalidade mais baixa para ver se está mais de acordo com as minhas exigências...
E segui caminho.
Devia ser mais parecida com a minha vizinha do lado. Não dar conversa a ninguém. Aliás, às vezes pergunto-me se ela não será muda!
O vizinho do terceiro andar. Hoje apanho todos!! E que estranho, a dirigir-se para o metro. Deve ter sido por causa da última subida dos preços da gasolina. Converteu-se aos transportes públicos. Com um bocado de sorte não me vê...
- Bom dia! Pela pressa deve ir atrasada.
- Obrigada por mo recordar!
- Mas o metro não vai andar mais depressa. Pode-se acalmar que acabou de partir um comboio e temos de esperar pelo próximo. Por isso podemos ir calmamente.
- Para quem anda pouco de metro até que está bem informado.
- Observo, apenas.
- Pensava que era economista.
- E sou! Não percebi...
- A observação é própria do espírito científico e não do capitalista.
- Está a querer afirmar que apenas os cientistas têm o dom supremo de saber observar o meio que os envolve e conhecê-lo.
- Não. Não o quis dizer. Mas neles é algo inato. Próprio. A observação e a curiosidade pelo que os rodeia é natural. Mas a observação é também desenvolvida noutras profissões. Eu, por exemplo, tenho de observar a reacção das testemunhas e dos meus clientes para me certificar do caminho a seguir na investigação ou na audiência.
- E eu?
- O vizinho tem de observar os índices económicos, estar a par da nossa realidade financeira e até social, q. b., mas a observação das pessoas, do meio natural que o rodeia não lhe é necessária.
- E como não me é necessária, segundo a vizinha, não desenvolvi o suficiente a minha capacidade de observar e tirar ilações do que vejo. Mas a verdade é que pudemos ir calmamente até ao patamar e ainda esperamos um pouco pelo metro.
- A capacidade de observar não é exclusiva. Até os cegos conseguem observar o que os rodeia, uma vez que retiram informações que lhes são necessárias, como o número de degraus de saída de uma qualquer estação de metro. Mas a observação tem de ser organizada, focada e intencional para retirarmos informações. E nisso os cientistas estão mais treinados. Ou qualquer outro investigador, claro.
- Então, dado que não sou profissional da observação, tenho desculpa para estar admirado pelo seu espírito filosófico. Achava-a mais corriqueira.
- Por alguma razão em particular?
- Não a vejo preocupada em estar informada pela actualidade. Nunca a vi com um jornal ou livro. Apenas com sacos de mercearia, roupa... ou os seus processos de trabalho. E também as pessoas que costumam frequentar a sua casa não me parecem muito intelectuais.
- Dado que a deslocação vertical no nosso prédio é, essencialmente, feita no elevador, como sabe que pessoas frequentam a minha casa? E com a frequência com que nos encontramos na entrada ou no elevador como pode tecer tal imagem de mim? Actualmente os prédios são locais anónimos. Cada indivíduo vive no seu andar e desloca-se no interior do prédio através do elevador, local fechado. Uns entram directamente com o carro na garagem, outros têm o seu acesso normal pela entrada. Raramente há cruzamentos.
- Estou a ver que não conhece a realidade do seu prédio! Das pessoas que vivem ao pé de si. Vive no seu canto e tudo o resto lhe passa à margem.
- Todo o resto não me diz respeito.
- Será? E se for vizinha de um homicida? Ou de um simples ladrão? Não lhe diz respeito? Ou se o seu vizinho debaixo é cardíaco e assusta-se com estrondos injustificados a meio da noite?
- Se o meu vizinho for homicida, não é da minha conta. Se matou alguém já pagou pelo seu crime e eu não tenho que o julgar. Se não pagou, então a polícia que o prenda. É essa a sua função. Como pode ver, não é da minha conta.
- Quando aparecer de pescoço cortado não me venha dizer que não é da sua conta!
- Está-me a obrigar a investigar o cadastro dos meus vizinhos?
- Não. Apenas a chamar a atenção para a importância de conhecer quem a rodeia. Eis a minha estação. E não se preocupe. Tanto quanto me é possível saber não temos nenhum perigo eminente nos habitantes do número vinte e dois da Rua dos Alegres.
- Obrigada pelo sossego que imprimiu ao resto do meu dia!
- Não tem de quê!

terça-feira, 21 de outubro de 2008

Acordar

Convém acordar após uma cirurgia, claro! Mas a experiência não é muito agradável. Ou para mim não foi. O apagão que se sente, o não se ter consciência do que aconteceu naquele período da nossa vida, é angustiante. Não se saber onde se está, como se está, a quantas se está, para alguém que gosta de ter todos estes parâmetros bem controlados, é difícil.

Mas pior é quem tem indisposições físicas. Foi-me possível "angustiar" com questões existenciais porque não tive outras prioritárias, como vomitar...

Um experiência que se não tiver de repetir, agradeço...

domingo, 12 de outubro de 2008

Predio 02

Para quem não compreende como "nascem" estes "contos", eu passo a explicar. Há dois anos foi lançado um desafio interessante em termos de escrita, que consistia num grupo de pessoas escrever estas coisas. O projecto não avançou e tenho, desde então, estes textos guardados. Assim tenho algo a colocar no blog, e, principalmente, partilho-os com vocês. Só espero que a leitura seja agradável...



Espreguiço-me. As melhores coisas num sábado de manhã é não ter de ouvir a campainha do despertador a ordenar o início do ritmo frenético de mais um dia de trabalho. Estico os braços e observo as manchas claras que os raios de sol provocam ao atravessarem o estore semi fechado. Quando comprar os cortinados não haverá tanta claridade, mas cada coisa a seu tempo. O dinheiro tem de ser distribuído pelas diferentes necessidades da casa. E os cortinados não são o mais prioritário. De qualquer maneira, já encontrei os adequados na loja de decoração junto à Conservatória.
No andar de cima oiço as rodas do carrinho do Mateus. Pobres pais! Há seis meses que não sabem o que é ter uma noite sossegada. E já é sorte quando a podem passar toda em casa, sem ser necessário acalmar o menino num passeio de jipe. Se algum dia tiver um filho com tamanha mania vai ter que se contentar com um Fiat Punto. Se quiser passear em bancos mais confortáveis terá de esperar pelos seus próprios rendimentos. Mas o melhor mesmo é que se habitue a dormir descansado na sua caminha.
E já estou a divagar... O melhor mesmo é deixar os cuidados parentais para a Rita e o Carlos, e aproveitar o meu sossego. Vou preparar o meu pequeno-almoço, mas antes tenho de ir à padaria buscar pãozinho fresco. O meu luxo de sábado de manhã.
Onze horas.
A Cristina ia com a Ticha à meia-maratona feminina. Depois vem-me apanhar para comprarmos a prenda para os pais do João e do Vasco. Hoje fazem 35 anos de casados. Devo dizer que as comemorações de aniversários de casamento são algo que me deixam fascinada. Principalmente as bodas de ouro. Como é possível fazer durar tanto uma relação? Tenho que começar a analisar os casos de sucesso e insucesso que conheço para tentar descobrir os segredos, se é que os há!
Um jipe Volvo a sair da garagem do prédio! A última vez que lá fui buscar o meu Punto (há duas semana?!) não vi aquele nível! Por isso é que o Mateus não se cala. Eu também não me calaria! E o vizinho do terceiro andar também vai entrar.
- Bom dia!
- Bom dia, como está? – pergunto, educadamente.
- Bem, obrigado. E pronto para aproveitar este primaveril sábado de Janeiro! Já leu o jornal de hoje?
- Não. Fui apenas à padaria. Ainda estou alheia à realidade do mundo actual.
Estamos à espera do elevador vermelho. É uma das poucas coisas que não gosto neste prédio. Eu sei que a nossa bandeira é maioritariamente cor de sangue e que esta é também a cor do clube que apoio, mas num elevador dá-me a sensação de catástrofe.
- Os combustíveis vão voltar a subir.
- Outra vez?
- A notícia de destaque é que houve um sismo na Península Arábica que atingiu algumas explorações petrolíferas. A consequência evidente é a subida do barril de petróleo. Bem faz a vizinha que dá pouco uso ao seu carro! Cheguei. Bom fim-de-semana!
- Obrigada, igualmente.
Eu ainda subo mais três andares. Os árabes preocupados em tirar pessoas doas escombros e eu preocupada com o que irei comprar para os meus “sogros”. Por muito que sinta a perda daquelas pessoas, a verdade é que não me toca na pele. Posso fazer uma transferência para ajudar as vítimas, mas não me afecta a vida. E o pensamento foge sempre para o ainda bem que ainda não foi desta que a nossa terra lhe deu para tremer. Têm ocorrido uns pequenos abalos o que, segundo os especialistas, é bom sinal pois liberta alguma da tensão interna, evitando a acumulação de energia.
Leite quente com café e pão fresco com manteiga! E raios de Sol a entrar pela janela e a baterem-me no corpo.
Pôr a máquina da loiça a trabalhar, arrumar o quarto, dar uma volta à roupa para ligar também a máquina da roupa. Segunda é dia da D.ª Rosa passar a ferro e tenho de ter a roupa lavada e seca para lhe deixar trabalho. E hoje não tenho de cozinhar! Ainda bem. Não me apetecia. Gosto de cozinhar quando estou inspirada. Considero que saber cozinhar é uma arte. Aqui não se trabalha com cores ou texturas mas com cheiros e paladares. E é preciso saber conciliá-los. Ou o prato não é muito apetitoso...
É nas alturas que ando em casa de um lado para o outro que compreendo a vantagem daquelas colunas na casa toda. Assim tinha sempre a música no mesmo volume e escusava de a ter tão alta na sala!
A pilha de trabalho que está na secretária! Mas estou de fim-de-semana. Não trabalho. Tenho de resistir. Vou tomar um duche rápido. É uma da tarde e a Cristina deve estar a chegar. O que havemos de comprar...
A galeria 21 tinha uns quadros alegres, cheios de cor que ficam bem numa casa de praia. E a sala da casa deles do Algarve está um bocado despida. Parece-me um bom começo... e fim também, a não ser que a outra tenha uma ideia melhor. Isto de namorarmos irmãos transforma-nos, de repente, em grandes amigas! Bem, a D.ª Lurdes do primeiro andar também acha que por vivermos no mesmo prédio somos todos uma grande família. Mas os bombons do Natal até que souberam muito bem!

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Objectivos...

Muita é a polémica ao redor da avaliação de professores. Há quem esteja totalmente a favor que este modelo siga avante pois as outras áreas profissionais também assim laboram, outros, os profissionais de educação, são contra. Eu pertenço a estes últimos. Ora vejamos.

Por exemplo, os comerciais têm que atingir metas de venda para terem sucesso. Por exemplo, um comercial num stand de automóveis tem de vender 5 carros por mês. O que tem de fazer é florear o produto para convencer da boa compra que o indivíduo vai fazer. Se enfiar um barrete a alguma pessoa, não faz mal. O que interessa é a sua meta.

Mais áreas profissionais há que têm objectivos a atingir. Não os conheço todos. Mas vejam as consequências que isso pode ter num professor.

Imaginem que têm um filho a estudar na turma X. A turma têm vinte e sete alunos, dois com necessidades educativas especiais, quatro com repetência, e um aluno que provoca distúrbios nas aulas. Têm uma percentagem de sucesso (níveis superiores a dois) de 70%, mas o objectivo estabelecido para a disciplina é de 85%. Expliquem-me como vai um professor conseguir concretizar a meta que lhe é imposta?

Pois... Pintando o carro como maravilhoso. Concordam? É isso que querem para os vossos filhos, sobrinhos, crianças? Então entrem nesta luta ou quem perde não são os profissionais de educação mas as crianças deste país.

E é isto que me assusta e espanta! Toda a gente está impávida e serena a observar a educação a ruir e não faz nada. E nós somos os maus da fita!!! Nós não queremos faltar mais, não queremos ter mais férias que ninguém, não queremos ter condições de trabalho diferentes. Apenas queremos desenvolver o nosso trabalho com qualidade e garantido um dos direitos consagrados na Constituição: o direito à educação e igualdade de oportunidades.

Depois não se queixem.

domingo, 5 de outubro de 2008

Dia Mundial do Professor

Como professora que sou, e profissional que gosta da actividade que desempenha, não podia deixar passar este dia em branco. Por isso, fui buscar um excerto do relatório final de estágio, do qual a Sara e Susana são co-autoras, e que traduz, um pouco, a complexidade e a magia do ser professor. Seis anos depois o texto continua a fazer sentido. Ainda bem!!



(...) vontade de estabelecer pontes com os colegas, de unir esforços com os funcionários e de aprender com os alunos de amanhã. Cativar e ser cativado. A riqueza humana do ser professor.
(...) Com a experiência vem muito conhecimento, cada dia que passa são mais conhecimentos que se adquirem. O acto reflexivo do ser professor.
(...) As realidades da escola são muito variadas, e o estudo, por muito completo que seja, nunca poderá abarcar a sua totalidade. É este o encanto do ser professor.
(...) O avaliar o trabalho de outro, de forma justa e conhecedora. O motivar os alunos para a aprendizagem. O gerir a disciplina na sala de aula. O lidar com as diferenças de cada indivíduo, compreende-las e respeitá-las. São as dificuldades, as barreiras que se erguem. Ultrapassá-las, é o desafio do ser professor.
No dia-a-dia do professor, não há tempo para pensar. As situações exigem reacções rápidas e atitudes certeiras. As decisões que se tomam podem afectar, de forma irreversível, o rumo a seguir. É a dúvida do ser professor. As más decisões devem ser encaradas como forma de crescer saudável e autoconsciente, e meio de aprendizagem para novas situações. A coragem de ser professor.
Por tudo isto, e muito mais, o ser educador é uma tarefa quimérica, onde em todos os passos tentamos alcançar a perfeição que nos escapa. No entanto, fica a esperança de a nossa presença não ter sido vã, do facto de marcarmos a diferença. O sonho, que comanda a vida, do ser professor.

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

Prédio 01

Recordam-se do projecto? Aqui vai...

Quem entra na Rua das Dálias e vira na primeira à esquerda, depara-se com um frondoso jardim onde os risos das crianças se fundem com o chilrear dos pássaros. Mistura rara de se ouvir por quem habita uma grande cidade, mas possível no Jardim dos Pessegueiros.

O mais estranho é que por mil voltas que tenha dado a este jardim, nunca encontrei qualquer árvore de fruto, principalmente pessegueiros… Já perguntei a um grupo de idosos que por lá costuma passar as tardes, sentado à volta de uma mesa de granito, baralhando e discutindo no intervalo das suecadas, a origem do nome daquele espaço, salvaguardado pelo esquecimento das imobiliárias. Explicaram-me que noutros tempos, quando em miúdos ocupavam as clareiras para chutarem bolas de farrapos, havia ali uma pequena feira de frutas e legumes onde havia uma família, os Pessegueiros, que vendiam o que colhiam no seu pomar dos subúrbios. E a fruta era tão doce que só uma simbiose entre árvores e abelhas podiam ter resultados tão divinais. Depois, os pais ficaram velhos para continuarem a tratar da quinta e os filhos seguiram outra vida. Nunca mais houve fruta tão doce, mas o local ficou miticamente ligado àquelas iguarias. A quinta, essa, era agora local de mais um shopping.
No centro do jardim existe um lago que com as suas gaivotas oferece um bom local de desgaste das mil e uma calorias que se arrecada na gelataria junto ao coreto. E que tentação o mostruário de dezenas de sabores – chocolate, nata, tiramisú, baunilha, morango, … - para quem passa no seu jogging matinal, ou eveningal, e decidiu repor o seu teor hídrico no bebedouro público, que oferece mais um local de duche do que um local de sede saciada.
É pela passagem junto ao canteiro das roseiras que eu sigo o meu caminho para casa. Normalmente, nunca consigo fazer esse trecho a direito pois são vários os ziguezagues a que sou obrigada para me desviar das catraias que saltam à corda, que jogam à macaca, ou tão só do magote de adolescentes que se forma em redor de uma fotografia de um ídolo holiodesco que aparece semi nú numa revista da especialidade, ou de uma mensagem idílica recebida num telemóvel de última geração.
Combinámos fazer a festa surpresa ao Vasco no meu apartamento. Daí serem cinco da tarde e já me poderem ver em grande marcha vinda do escritório. Amanhã vou ter que sair mais tarde ainda que o costume para compensar o luxo de hoje, mas tenho de ir ao mercado fazer umas últimas compras e começar a pôr tudo em ordem para o jantar. Antes, tenho de subir ao sexto andar do número vinte e dois da Rua dos Alegres. Os saltos das botas de cano alto já me cansam e não me apetece ir de tailleur para o meio das bancas. Além disso, trago na pasta o processo da audiência de amanhã e é demasiado volumoso para o andar a carregar por desporto. Vou vestir umas calças de ganga e uma camisola de lã e trocar o sobretudo pelo blusão de penas.
Saí do jardim. Agora espero que o semáforo fique verde para os peões. Não sou a única. Ao meu lado está um miúdo na sua bicicleta. As ciclovias ainda são raras mas pode ser que os funcionários da câmara reparem que já há uma boa circulação destes veículos de duas rodas e comecem a elaborar projectos onde integrem estas vias. Verde…
Subo a Calçada do Museu e viro na terceira à direita. Abro a mala e começo a procurar a chaves de casa. Arrependo-me de não as ter colocado na bolsa lateral em vez de as ter atirado para o magote de coisas que me acompanham religiosamente para todo o lado. Nem a barra de cereais falta. Ah, achei!
Que sensação fantástica a de rodar a chave na fechadura da nossa porta e ver-se abrir o nosso pequeno reino… Pouso as chaves no armário de entrada e sigo até ao roupeiro, onde penduro o casacão e enfio as pantufas. Passo pelo escritório para descarregar as bagagens e finalmente chego ao meu quarto. É só preparar o meu banho e começar a segunda fase do dia. A Ticha há-de chegar às 19,30h com o bolo de aniversário e meia hora depois os restantes convidados. Espero que o João chegue antes para cumprir o seu papel de anfitrião.
Ai!! O vinho!!! Esqueci-me de lhe pedir que fosse comprar o vinho!! Branco, claro, para acompanhar o salmão… E a água que estava tão quentinha! Raios!!
A Rosa deixou a casa num brinco! Vou pôr a toalha com os bordados de Viana e o serviço de grês. Suficientemente informal para o que se pretende, mas sem pôr de parte o requinte que um neurocirurgião exige. Só acho que não era necessário encomendar um bolo em forma de cérebro… Um bisturi feria menos susceptibilidades.
Pego novamente nas chaves. O porta-moedas já está no bolso. Aproveito a caminhada até ao mercado para ligar novamente ao João. Há pouco não me atendeu, mas ao ver a minha chamada podia ligar de volta! Afinal, o irmão é dele e bem que podia ajudar um bocadinho que fosse… Só quero que não falte o vinho.
De regresso. O peixe tem óptimo aspecto. A D.ª Carmo tem sempre um peixe seleccionado. Agora é começar a grelhar. Nesta cozinha com uma vista fantástica sobre o rio até dá vontade de cozinhar. Ainda por cima quando está a anoitecer e observa-se um jogo de cores nas luzes que já estão acesas. E nem os faróis dos carros são indiferentes a este quadro. O cheiro, diminuído pela campânula a funcionar, chama um copo de vinho. Gostava de possuir um pouco da sabedoria dos enólogos para distinguir um bom vinho de um soberbo. Assim, bebo aquele que gosto!
Estão a tocar. Deve ser a Ticha. Já arrumei o frigorífico e tenho espaço suficiente para o bolo, espero! A Rita e a Joana também ficaram de trazer sobremesas. Espero que a namorada que o Vasco nos vem apresentar também traga alguma coisa. E que não se assuste muito com a quantidade de gente. Afinal, eles vêem para um pequeno jantar de família…
Mas é bom que a Cristina – acho que é esse o nome dela – se habitue que o sexto andar do número vinte e dois da Rua dos Alegres é uma verdadeira caixinha de surpresas.
Afinal era o João. E traz o vinho. Óptimo! Está tudo em ordem. E ainda sobra tempo para namorar um bocadinho…

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

O que a preguiça inventa!

Quando estou com pouca inspiração para trabalhar costumo deambular um pouco para "ganhar vontade". E o deambular pode ser ir comer, ver televisão, ouvir música, ler, passear ou cuscar na net. Ontem apeteceu-me cuscar na net. E como falaram em ascendentes do zodíaco, fui cuscar o meu. Peixes. À conta acabei por ler aqueles perfis de signos e o que descobri sobre os touros:

Constróem carreiras sólidas, casas de qualidade e uma família forte. Enchem a casa só com o melhor, com veludo para se sentirem quentes.

E eu que dizia que, agora com os cortinados e os candeeiros achava o meu quarto vazio com as paredes nuas. Aí está a solução!! Forrar as paredes de veludo. Mas não de vermelho como a madre do Convento de Odivelas!!

Eu sei, baboseiras, mas é só mesmo para escrever alguma coisa... ;)

Sim, sim... A tese... Mas assim relaxa-se!!! Até descobri a zodíaco do beijo, ou como lá é aquilo!! E tem-se que investigar a imaginação alheia para criar parâmetros!!

Inté!!